Em entrevista com uma
moradora local da cidade de Ouro Preto, pode-se perceber que apesar de toda a
beleza que a região possui e mesmo ela sendo considerada um patrimônio
histórico, tombado, algumas pessoas surpreendem com pensamentos sobre a cidade
em que vivem. Maria Lúcia, moradora a 25 anos de Ouro Preto, responde ao
pequeno questionário que segue abaixo.
Qual a sua profissão atual?
Maria Lúcia – Hoje eu
trabalho como atendente em uma loja de doces, que os turistas e moradores
adoram.
Como a senhora se locomove pela cidade?
Maria Lúcia – Uso o
ônibus para me levar de casa até onde trabalho.
Quais lugares a senhora costuma frequentar em
sua cidade?
Maria Lúcia – Eu
costumo frequentar lugares com uma “boa vibração”, locais em que podemos
relaxar e curtir um tempo com a família e amigos. Geralmente vou ao Satélite que é uma pizzaria, bar e
lanchonete aqui de Ouro Preto, é um bom lugar para quando se sai de um dia
longo de trabalho.
A senhora frequenta alguma praça ou outro tipo
de local público?
Maria Lúcia – Alguma
vezes eu frequentei a UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), é um espaço
muito bom, ainda que precise de algumas reformas ou expansões. A biblioteca é
muito interessante, mas fui lá poucas vezes.
A cidade possui algum tipo de evento especial?
Maria Lúcia – Ouro
Preto possui dois eventos de que eu possa me lembrar e dos quais eu gosto. Um
deles é o festival de inverno que faz entre muitas de suas atrações, a
apresentação de shows e musicas bem animadas. O festival de cinema é outro que
me agrada muito, as pessoas tem a oportunidade de aproveitar os filmes e ter
momentos bacanas com os outros. Esses eventos na maioria das vezes atraem
muitas pessoas, e geralmente os hotéis ficam “lotados”, a cidade fica mais
viva; mas eu nem sempre gosto de que tenha um pessoal muito grande, já que tudo
acaba ficando um pouquinho mais estressante.
Você tem orgulho da sua cidade?
Maria Lúcia – Não, eu
não tenho orgulho da cidade em que moro. É uma cidade “carregada”, triste e
sofrida, principalmente por conta de seu passado.
Qual o ponto positivo e o negativo da cidade?
Maria Lúcia – Para mim
o ponto positivo são todos esses eventos que a cidade tem, além de toda a sua
beleza natural e os estilos das casas e ruas, mas como eu já disse antes, a
cidade tem muitos pontos negativos também. Eu vejo Ouro Preto como o que
aconteceu no passado da cidade; houve muita exploração não só das pedras e do
ouro, mas também dos escravos, e para mim isso tudo traz um “ar” carregado para
os dias de hoje. Eu penso que eu estou vivendo em um lugar onde muitos já
sofreram e por isso não me sinto totalmente bem. Se não fosse pelos meu filhos,
eu já teria me mudado de Ouro Preto.
A senhora gostaria de visitar outras cidades
brasileiras?
Maria Lúcia – Muitos
colegas falam sobre Ipatinga e por isso sinto vontade de ir para lá.
Defina sua cidade em uma frase.
Maria Lúcia – Ouro
Preto, bonita para visitar e passear, não para morar.
A entrevista revela
como o passado histórico de Ouro Preto foi um grande exemplo de sofrimento e
exploração, e que existem pessoas que não se sentem a vontade com tudo isso.
Porém pode-se perceber também, que a cidade possui seus pontos positivos,
principalmente do ponto de vista da arte e da cultura. A religião para a cidade
é muito importante, assim como suas obras artísticas e é isso que torna a
antiga Vila Rica, um local tão belo e impressionante.
Por ser uma cidade
aparentemente pequena, onde os estabelecimentos são próximos, assim como a
população, muitos pensam que as notícias chegam rapidamente até todos, mas pelo
que se pode notar, isso não funciona exatamente assim. Ao perguntar para os
moradores de Ouro Preto se eles sabiam sobre a greve que estava acontecendo no
Museu da Inconfidência, a maioria das pessoas (moradores) não sabiam sobre ela.
Para alguém de fora da cidade, ou seja, um turista, parece que não há grande
incentivo para a conscientização da população sobre os assuntos que rodeiam a
cidade, e isso pode mostrar que mesmo sendo uma cidade que possui um papel
importante e que recebe um grande número de pessoas, ainda existe uma falta de
organização, assim como acontece nas grandes cidades e centros urbanos.
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